Cardápio

Escrever num blog é um ato de amor e de resistência

23:36

Imagem: Freepik

Já faz algum tempo que leio muitos questionamentos sobre a morte dos blogs e a supremacia das imagens (sejam fotos ou vídeos) no que diz respeito de todo e qualquer tipo de conteúdo produzido nos limites do que chamamos de internet. Tanta gente se questionando e abandonando a blogosfera que o tema ficou martelando na minha cabeça esses dias. Ainda faz sentido manter um blog quando as pessoas parecem ter preguiça de ler até legenda do Instagram? Some esse questionamento aos inúmeros outros que a minha profissão – jornalista – vem tentando responder quando a produção de conteúdo no ambiente digital. 

Bem, deixando o jornalismo um pouquinho de lado e focando nos problemas relativos ao blog – uma coisa por vez, né! – percebi que muitas das queixas estavam relacionadas a migração do público para outras plataformas e a consequente debandada das editores e as controversas parcerias – não me levem a mal, eu também já resenhei livro pra editora e a minha única ressalva quanto a isso é não sinalizar que o livro foi lido nessas condições. Esses foram os pontos que me deixaram mais intrigada porque eu também já pensei em abandonar o blog – por falta de tempo para me dedicar e mesmo para ler – mas essa decisão nunca esteve relacionada a atitude de uma outra pessoa. 

Eu não vou ser hipócrita. É muito legal quando a gente escreve algo e tem um “serumaninho” que na imensidão de coisas que habitam esse ambiente vem aqui no Relicário e demonstra que o meu conteúdo foi relevante de alguma forma. Assim, despretensiosamente. Sim, é muito legal ter qualquer tipo de atividade reconhecida. 

Então, por que não migrar para onde aparentemente é mais fácil alcançar reconhecimento? Por que continuar escrevendo num blog? Primeiro porque, para mim, a escrita é um ato de amor. Eu acho surreal alguém conseguir passar tudo o  que está na sua cabeça, todos os seus sentimentos, a partir de um certo encadeamento de palavras – talvez more aí o meu amor pelos livros. Quando alguém me pergunta sobre um livro eu simplesmente falo sobre o livro, mas quando eu resolvo escrever sobre uma história é como se um pedaço meu voltasse para àquela realidade de modo que eu pudesse descrever da forma mais fiel possível, como se quem fosse ler tivesse apenas aquelas palavras para decidir e se inspirar a começar uma nova leitura. Ou que o meu texto era o que faltava para motivar alguém a assistir tal filme ou série, escutar um novo artista e por aí vai. 

Além de um caso de amor, escrever e manter um blog é também a minha forma de resistência. E, por hora, seguimos resistindo. 💗


Aniversário

Cinco anos e um relicário imenso desse amor

16:17



No dia dois de junho de 2013, sob o sol em gêmeos, o primeiro texto desse relicário foi publicado. E como um bom geminiano, o Relicário se tornou um espaço para conversas, conversas e mais conversas. Nesse cantinho aprendi a me sentir confortável em compartilhar leituras, filmes, séries músicas e tantas outras faces que compõem o jogo de espelhos que nos forma. Fiz amizades com gente que nunca vi na vida, mudei de um projeto coletivo para uma caminhada sozinha, testei, errei, aprendi, e acima de tudo continuei... mesmo com os atrasos, mesmo com a rotina e apesar de tudo. 


Olhar para tudo que já foi - e ainda é – compartilhado, é ter uma noção da minha própria evolução; evolução da escrita, mudanças de gosto, mas é sobretudo perceber o que em mim continua estável, o que foi âncora durante todo esse processo é o que me mantem aqui. 

Longe de buscar reconhecimento ou aceitação, o Relicário é um projeto pessoal que me desafia e me inspira constantemente. E que sempre tem espaço para mais um tópico de conversa. Daqui para o futuro pretendo me manter curiosa sobre os assuntos da vida e continuar compartilhando tantas quantas forem as coisas que me causem inquietações. 


Gratidão a quem segue firme e forte por aqui! 

Beijos!



Cinema

Três filmes para conhecer e se apaixonar pelo cinema francês

23:15

Fonte: Pinterest

Reza a lenda familiar que a minha obsessão por filmes teve início por volta dos três anos de idade com a participação de uma fita VHS de A Bela e a Fera. Minha mãe conta que eu costumava passar sábados inteiros assistindo ininterruptamente, mesmo tendo uma coleção com outros filmes da Disney. Depois desse amor à primeira infância, minha relação com o cinema foi se solidificando e abarcando outros gêneros. Meu coração cinéfilo tinha espaço para Meu Primeiro Amor, A Noite dos Mortos Vivos. A Fantástica Fábrica de Chocolate, Uma Linda Mulher; Dirty Dancing, e tantos outros. 

O cinema francês, nosso tema aqui, foi uma relação mais madura. Eu não sei ao certo como esse encantamento começou, mas arrisco dizer que foi em uma mostra de cinema -que fazia parte das semanas de extensão da universidade – com a Trilogia das Cores, especificamente A Liberdade é Azul, que na verdade foi produzido pelo polonês Krzysztof Kieślowski. Depois disso, fui a muitas mostras de cinema francês organizadas pela Aliança Francesa da minha cidade e a algumas edições do Festival Varilux de Cinema Francês. 

As minhas dicas de hoje foram filmes que vi a partir da indicação de amigos e que se encontram, não apenas, na minha lista de favoritos do cinema francês, mas na minha lista de favoritos da vida. Espero que gostem!

O fabuloso destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain)


Sinopse: Após deixar a vida de subúrbio que levava com a família, a inocente Amélie muda-se para o bairro parisiense de Montmartre, onde começa a trabalhar como garçonete. Certo dia encontra uma caixa escondida no banheiro de sua casa e, pensando que pertencesse ao antigo morador, decide procurá-lo ­ e é assim que encontra Dominique. Ao ver que ele chora de alegria ao reaver o seu objeto, a moça fica impressionada e adquire uma nova visão do mundo. Então, a partir de pequenos gestos, ela passa a ajudar as pessoas que a rodeiam, vendo nisto um novo sentido para sua existência. Contudo, ainda sente falta de um grande amor. 




Canções de Amor (Les Chansons d'amour) 


Sinopse: O jovem jornalista Ismaël (Louis Garrel) namora Julie (Ludivine Sagnier), que convida sua amiga Alice (Clotilde Hesme) para morar com o casal. Os três passam a andar juntos pela cidade de Paris, festejar e dividir momentos de intimidade na cama. Apesar de todo entusiasmo, o relacionamento à três vai gerar algumas crises de ciúmes. A vida de cada vértice deste triângulo amoroso vai mudar radicalmente após uma tragédia. 




Amores Imaginários (Les Amours Imaginaires)


Sinopse: Francis (Xavier Dolan) e Marie (Monia Chokri) são amigos inseparáveis. Suas vidas mudam quando conhecem Nicolas (Niels Schneider), um charmoso rapaz do interior que acaba de se mudar para Montreal. Um encontro se sucede ao outro e os três logo se tornam um grupo inseparável. Mas Francis e Marie, ambos apaixonados por Nicolas, desenvolvem fantasias obsessivas em torno de seu objeto de desejo comum. À medida que atravessam as típicas fases da paixão, embarcam numa verdadeira disputa pela atenção do rapaz, comprometendo sua antiga amizade.




Cardápio

Orgulho e Paixão: Romance de época na TV

01:06


Os fãs de Jane Austen têm mais um motivo para se alegrar: dia 20 de março estreou Orgulho e Paixão, uma novela escrita por Marcos Bernstein e com direção artística de Fred Mayrink cujo roteiro é livremente inspirado nas obras da nossa rainha dos romances de época. A trama, que mistura romance, humor e personagens femininas fortes, vai ao ar de segunda a sábado, na faixa das 18h, na rede Globo.


A adaptação é ambientada no início do século XX, no fictício Vale do Café, interior de São Paulo, onde a base da sociedade era patriarcal e dividida por “castas”. Bem como em Orgulho e Preconceito, a adaptação tem como um dos seus centros a família Benedito – em especial as cinco irmãs – com destaque para Elisabeta (protagonista), uma mulher à frente do seu tempo que tem pensamentos igualitários e deseja trabalhar e conhecer o mundo. No entanto, Elisa vive uma série de conflitos internos depois de conhecer Darcy, um homem de caráter e sisudo, por quem ela acaba se apaixonando.



Assisti as duas primeiras semanas da novela e confesso que me surpreendi positivamente com a adaptação que apesar de explorar bastante a veia cômica, apresenta também questionamentos interessantes sobre o papel das mulheres nesses sociedades. Apesar de achar que alguns personagens ficaram um pouco caricatos, a novela é certamente um prato cheio para quem – assim como eu – adora um romance de época.


Literatura

Resenha: Ligeiramente Maliciosos

23:16

Autora: Mary Balogh | Editora: Arqueiro | Edição: 1 | Nota: 4 de 5
Sinopse: Após sofrer um acidente com a diligência em que viajava, Judith Law fica presa à beira da estrada no que parece ser o pior dia de sua vida. No entanto, sua sorte muda quando é resgatada por Ralf Bedard, um atraente cavaleiro de sorriso zombeteiro que se prontifica a levá-la até a estalagem mais próxima. Filha de um rigoroso pastor, Judith vê no convite do Sr. Bedard a chance de experimentar uma aventura e se apresenta como Claire Campbell, uma atriz independente e confiante, a caminho de York para interpretar um novo papel. A atração entre o casal é instantânea e, num jogo de sedução e mentiras, a jovem dama se entrega a uma tórrida e inesquecível noite de amor.

Judith só não desconfia de que não é a única a usar uma identidade falsa. Ralf Bedard é ninguém menos do que lorde Rannulf Bedwyn, irmão do duque de Bewcastle, que partia para Grandmaison Park a fim de cortejar sua futura noiva: a Srta. Julianne Effingham, prima de Judith. Quando os dois se reencontram e as máscaras caem, eles precisam tomar uma decisão: seguir com seus papéis de acordo com o que todos consideram socialmente aceitável ou se entregar a uma paixão avassaladora?

Neste segundo livro da série Os Bedwyns, Mary Balogh nos conquista com mais um capítulo dessa família que, em meio ao deslumbramento da alta sociedade, busca sempre o amor verdadeiro.

Comentários

Já comentei algumas vezes por aqui que os bons romances de época são aqueles que conseguem nos surpreender dentro do enredo previsível do gênero. No segundo livro série Os Bedwyns, Mary Balogh nos mostra mais uma vez que não lhe falta criatividade na hora de construir suas narrativas românticas e divertidas. 

Em Ligeiramente Maliciosos somos apresentados a história de lorde Rannulf Bedwyn, irmão do duque de Bewcastle, e Judith Law – uma jovem filha de um rígido pastor de posses modestas. Os dois se conhecem quando a diligência em que Judith viajava acaba se envolvendo em um acidente, em função do mal tempo, deixando os passageiros à beira da estrada. A ajuda, que os viajantes já estavam sem esperanças de encontrar, vem na forma de Rannulf, que seguia em viagem a cavalo nas proximidades do local do acidente. Ao avistar Judith, lorde Bedwyn se vê encantado e intrigado com a beleza e personalidade daquela mulher e se oferece para levá-la a estalagem mais próxima enquanto os outros esperam por ajuda. Judith, apesar de saber que não era adequado uma moça seguir sozinha com um cavalheiro desconhecido, encara o convite como uma oportunidade de viver uma última aventura antes de seguir para a casa da tia, onde deveria trabalhar como uma criada. 


Dispostos a viver essa aventura, mas sabendo dos riscos ditados pelas convenções sociais, os dois assumem outras identidades: Judith se apresenta como Claire e Rannulf como Ralf. E, sem os ditames dos papeis sociais, vivem um romance intenso durante os dias que passam na estalagem enquanto a chuva não cessa. Quando o sol finalmente retorna, ambos acreditam que vão seguir suas vidas e aqueles dias serão uma doce lembrança de um tempo bom. Mas o destino é traiçoeiro e o que nenhum dos dois imaginava era que lorde Rannulf Bedwyn é um dos pretendentes da prima de Judith e que frequentará a mesma casa que ela estará hospedada. Claro que esse reencontro não pode acontecer sem alguma dose de confusão, né?! O desenrolar dessa história é romântico, cativante, divertido e tem tudo aquilo que a gente espera de um romance de época e até mais um pouco. Já que a autora a partir da personagem de Judith encontra espaço para discutir de maneira crítica o papel da mulher nas sociedades inglesas do século XIX, como elas eram reprimidas e como sua posição social ditava a maneira como eram tratadas por alguns homens. 

Apesar de ter gostado muito da leitura acredito que do meio para o final do livro ela fica um pouco arrastada em função do excesso de desenvolvimento das histórias dos personagens secundários; mesmo assim não é nada que afete a experiência de leitura. Ligeiramente Maliciosos entrega aquilo que se propõe: uma história leve, divertida, romântica e com personagens cativantes.   



Frame

Frame: Lovesick

22:33



De quando em quando, nesse mundo de algoritmos e coincidências, a gente encontra algo que nem sabia que estava procurando. Mas no momento em que encontra tudo aparentemente faz sentido. O fato é que eu acabei encontrando um desses sentidos aleatórios assistindo as três - surpreendentes - temporadas de Lovesick.



O enredo da série conta a história de Dylan que ao descobrir que contraiu um DST precisa entrar em contato com todas as mulheres com quem já teve relações sexuais para informa-las e orientá-las a fazer o teste. Nessa jornada, ele conta com a ajuda de Luck, seu melhor amigo, e de Eve, uma amiga que já teve uma queda enorme por ele, mas manteve o segredo até superar. Enquanto revive seu passado amoroso, acompanhamos a eterna busca de Dylan por um grande amor.

“Eu entendo um pouco como você se sente. Encontrar o amor envolve sofrimento, decepção e angústia, até deixar de ser.”


Lovesick está disponível no catálogo da Netflix. 

P.s: Frame é cada um dos quadros ou imagens fixas de um produto audiovisual

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