É uma revolta? Não, é uma revolução.

09:00

Cena de Laurence Anyways (Divulgação)

Ver "Amores Imaginários" despertou minha curiosidade para as matérias que em 2012 divulgavam "Laurence Anyways", o novo trabalho de Xavier Dolan, o diretor badalado do momento. Lembro que, além do nome na direção, chamaram a atenção também a fotografia e os comentários negativos sobre a duração do filme. Hoje, 2013, vi título, capa e nome do diretor e pensei: "será que é o badalado?". Arrisquei a sinopse e esta foi a gota d'água para a vontade de assistir transbordar. Lá para mais da metade do longa-metragem reconheci que este era o filme dos comentários que li em 2012. As críticas não exageravam, já o diretor... 

Justifico a demora - 159 min de filme - como a  forma de contar basicamente a história de duas vidas, ambas de Laurence Alia (Melvil Poupaud), protagonista. Ele é professor, vive com Fred (Suzanne Clément), uma publicitária com quem tem um relacionamento amoroso, e revela no seu aniversário de 30 anos a necessidade de se mostrar como "ela". A história é composta pelas idas e vindas do casal tentando manter o equilíbrio da relação ao aceitar a transformação de Laurence, que passa a se apresentar socialmente como mulher e manter sua orientação sexual como heterossexual.


Dolan extrapola não só na duração. Algumas composições e trajes de cenas são afetados também, fazendo lembrar que nem todo kitsch tem sotaque espanhol. Contudo, o exagero em "Laurence Anyways" não diminui a obra, repleta de texturas, simbolismos (borboleta saindo da boca de Laurence; a "chuva" que cai sobre Fred dentro de sua sala de estar; as roupas caindo na chegada à Ilha Negra) e até de elementos já vistos em outros trabalhos do diretor ("Amores Imaginários" e "Eu matei minha mãe"), como cores, enquadramentos e a cena, agora clássica, da dança/festa em slow motion. Xavier Dolan abusa dos recursos e expõe uma bela composição visual e temática afastando a cisma de qualquer estranhamento.




*Imagens: Divulgação.

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Você pode gostar também de:

Tudo que quiseres (Todo lo que tú quieras, 2010)
Espanha
101 min
Direção: Achero Mañas
Sinopse: Leo e Alicia são casados e moram com a filha Dafne, de quatro anos. Como numa família tradicional, a mãe preocupa-se em cuidar da filha e educá-la, enquanto o pai vive fora de casa, trabalhando. Contudo, a morte repentina de Alicia abala radicalmente esse equilíbrio familiar. Sentindo uma falta da figura materna, a menina tem grandes dificuldades de superar a perda. Tentando atender como pode as demandas da filha, Leo coloca em jogo sua própria identidade.

Também poderá gostar

0 comentários

.

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-SemDerivações-SemDerivados 2.5 Brasil.