Arqueiro

[Resenha]: O Visconde que me amava (Julia Quinn)

19:37

Título: O Visconde que me amava | Autora: Julia Quinn | Editora: Arqueiro | Edição: 1 |Páginas: 304 | Nota: 4,5 de 5

Sinopse: A temporada de bailes e festas de 1814 acaba de começar em Londres. Como de costume, as mães ambiciosas já estão ávidas por encontrar um marido adequado para suas filhas. Ao que tudo indica, o solteiro mais cobiçado do ano será Anthony Bridgerton, um visconde charmoso, elegante e muito rico que, contrariando as probabilidades, resolve dar um basta na rotina de libertino e arranjar uma noiva.
Logo ele decide que Edwina Sheffield, a debutante mais linda da estação, é a candidata ideal. Mas, para levá-la ao altar, primeiro terá que convencer Kate, a irmã mais velha da jovem, de que merece se casar com ela.
Não será uma tarefa fácil, porque Kate não acredita que ex-libertinos possam se transformar em bons maridos e não deixará Edwina cair nas garras dele.
Enquanto faz de tudo para afastá-lo da irmã, Kate descobre que o visconde devasso é também um homem honesto e gentil. Ao mesmo tempo, Anthony começa a sonhar com ela, apesar de achá-la a criatura mais intrometida e irritante que já pisou nos salões de Londres. Aos poucos, os dois percebem que essa centelha de desejo pode ser mais do que uma simples atração.
Considerada a Jane Austen contemporânea, Julia Quinn mantém, neste segundo livro da série Os Bridgertons, o senso de humor e a capacidade de despertar emoções que lhe permitem construir personagens carismáticos e histórias inesquecíveis.



Comentários

Em sua carta ao final do livro, Julia Quinn destacou: “Lemos romances para nos apaixonar”. Ao finalizar a leitura de ‘O Visconde que me amava’ tenho de concordar com a autora. A trama envolvente, bem humorada e com um casal atípico, que faz parte dos romances históricos, foi capaz de causar em mim certo encantamento pelo primogênito dos Bridgertons. Além de me fazer ter a certeza de que vale a pena acompanhar a série até o final.

A narrativa, desta vez, está ambientada na temporada de bailes de 1814. Tais eventos sociais eram utilizados pelas mães para encontrar pretendentes para suas filhas. A surpresa da temporada, no entanto, é o anúncio de que Anthony, o mais velho dos Bridgertons (detentor do título de Visconde) e o maior libertino de Londres, pretende se casar. Dentre as moças que debutavam, Edwina Sheffield era a queridinha da temporada devido a sua beleza e graciosidade. Atributos que logo despertaram a atenção do Visconde. 

Tudo pareceria perfeito para os planos de casamento de Anthony, que incluíam uma esposa bonita por quem ele não se apaixonaria, exceto pelo anúncio feito por Edwina de que só se casaria com quem sua irmã aprovasse. A irmã era Kate Sheffield, que devido aos poucos recursos da família também debutava na mesma temporada que a irmã mais nova. Diferente de Edwina, Kate possui personalidade forte e não apresenta muitos traquejos para os eventos sociais. Apesar de não ser feia acabava sendo ofuscada pela beleza de Edwina e só passou a ganhar a atenção dos homens após a afirmação de sua irmã. Outro aspecto sobre Kate é que ela possuía aversão aos libertinos.

A personalidade e a determinação de Kate em manter libertinos longe de Edwina se configuram em um divertido entrave aos planos de Anthony. Desde o primeiro momento em que são apresentados ambos passam a ser tratar com desprezo e presenteiam o leitor com ótimas tiradas, além de altas doses de ironia e sarcasmo. Um dos aspectos mais interessantes da narrativa criada por Quinn é justamente a possibilidade que o leitor tem de acompanhar a própria construção do afeto e a desmistificação dos conceitos previamente estabelecidos por Anthony e Kate a respeito um do outro.


"Mas o amor era o inimigo dos mortais. Era a única coisa capaz de tornar o restante dos seus anos intoleráveis – provar da felicidade e saber que ela lhe seria arrancada." 

Página 173

Estrutura

O livro é narrado em terceira pessoa e apresenta os pontos de vista de Anthony e Kate sobre os acontecimentos. A linguagem é bem dinâmica e muito bem humorada o que com certeza contribui para uma leitura rápida. O carisma dos personagens é algo que vale a pena ser ressaltado mais uma vez.

Os capítulos possuem tamanho mediano e assim como o primeiro livro da série, ‘O Duque e eu’, são iniciados pelas crônicas da sociedade de Lady Whistledown. Os textos da maior fofoqueira de Londres costumam de alguma forma antecipar situações que serão desenvolvidas em seguida. A identidade da cronista ainda continua sendo o maior mistério da série, mas aos poucos a Julia Quinn nos fornece algumas pistas.




Érika Rodrigues

Música

Playlist nova música nacional

19:41






Olá Leitores!

Hoje decidi compartilhar uma lista de cantores que representam a nova geração da música nacional, ou nova MPB. Então, deixa a música rolar...



Tiê



Cícero




Ana Cañas




Phill Veras




O que acharam das indicações?


Érika Rodrigues

Cardápio

[Sorteio]: 500 seguidores do Blog Whoisllara

15:06


Olá leitores!

Para comemorar seus 500 seguidores, o blog Whoisllara resolveu convocar os parceiros e realizar um grande sorteio em agradecimento aos leitores. Ao todo serão oito livros sorteados, além de outros mimos. O Relicário participará da promoção disponibilizando um exemplar do livro ‘O Futuro de Nós Dois’. Está esperando o que para participar?!



Os Blogs participantes e os prêmios disponibilizados são: 

Clube das Seis - Selvagens por Don Winslow
Relicário - Futuro de Nós Dois por Jay Asher & Carolyn Mackler
Estante Jovem - Marcadores
Amo Livros - Halo por Alexandre Adornetto
Literalizando Sonhos - A Escolha por Nicholas Sparks
Whoisllara - Marcadores e O Clã dos Magos
The Queens Castle - Marcadores
O Que Tem Na Nossa Estante - Melancia, por Marian Keyes
O Que Devoro - "Goosebumps: Sorria e Morra" de R. L. Stine
Crescendo como Saumensch - Morro dos Ventos Uivantes, por Emily Bronte.



O Sorteio será feito pelo Rafflecopter, onde sortearemos 2 vencedores. 

- O 1° sorteado vai levar um kit contendo: 5 livros e marcadores.

- O 2° sorteado vai levar: Marcadores e 3 livros



Atenção para as regras:


- O Período de inscrição será do dia 18/04 à 18/06.

- Válido somente para quem mora no Brasil.

- O sorteio terá dois vencedores.

- Os vencedores receberão um e-mail sendo informados que ganharam, mas terão 72 horas para entrar em contato. Caso não haja o contato dentro desse prazo faremos um novo sorteio.

- Os prêmios serão enviados no prazo de até 30 dias.

- Cada Blog será responsável para enviar seus prêmios, e com isso os prêmios chegaram em datas diferentes.

- Não nos responsabilizamos por extravio dos correios e endereços incorretos.

- O resultado será divulgado em até 7 dias após o término das inscrições.

- As entradas são TODAS obrigatórias.

Sorteio 1

a Rafflecopter giveaway

Sorteio 2


a Rafflecopter giveaway

Boa sorte a todos! =D

Érika Rodrigues

Entre Aspas

[Entre Aspas]: Sobre o IPEA, as mulheres e os abusos

15:56



Quem acompanhou os noticiários do último mês pôde ter uma ideia geral de toda polêmica causada em função dos dados da pesquisa do IPEA que revelou a opinião do brasileiro sobre a violência contra as mulheres. Independentemente de toda a confusão com relação às porcentagens, resolvemos propor um debate sobre o que tal pesquisa e as repercussões que a sucederam de fato revelam sobre o nosso comportamento.

Como a proposta da coluna é trazer mais de uma opinião, vou abrir espaço para a Francielle Couto, do Universo Literário, comentar sobre os acontecimentos. Vamos lá?


Fran: Os resultados da pesquisa do IPEA sobre a violência contra mulher no país suscitaram recentemente uma série de acontecimentos sádicos. Primeiro, os dados apontaram que 65,1% da população crê que mulheres que usam roupas curtas merecem ser atacadas. Um número chocante se considerarmos o que de fato está sendo tratado: um ato radical e extremo que vai contra a qualquer dispositivo legal. 

Entretanto, após uma repercussão que acendeu protestos em todo o Brasil – e, como se não bastasse, ocasionou diversas ameaças contra essas manifestações –, o IPEA se pronunciou a fim de retificar os dados divulgados, afirmando que, na realidade, o percentual correto é 26%. 

Agora eu me pergunto como uma pesquisa realizada entre maio e junho do ano passado (e
Fonte: Veja
só divulgada recentemente), pôde noticiar resultados tão dessemelhantes? Afinal, não se trata de poucas percentagens. Um erro que intriga a população por diversos motivos, e que levou muitas pessoas a acreditarem que houve uma manipulação dos dados. Eu, por outro lado, vejo que, independente da numeração, o fato é que o resultado ainda choca. Não estamos falando apenas de sexo, ou de como as pessoas se comportam ou escolhem usar seus respectivos corpos. Estupro, para aqueles que esqueceram o real sentido da palavra, é sinônimo de crime. 

Parece que não importam quantas pessoas se disponham a defender as mulheres de tamanha agressão... tudo resulta no fato de que os homens têm o direito de fazer o que quiserem com o corpo delas. Em outras palavras, para muita gente ainda são elas as principais culpadas pela violência recorrente que nunca parece ter fim. 

Todavia, grave é acreditar que as próprias mulheres são as responsáveis pelo cultivo da cultura do estupro. Não existe responsabilidade parcial quando elas não passam de vítimas silenciadas pela vergonha e pelo medo. Medo este que infelizmente contribui para uma sociedade preconceituosa e repleta de desigualdades. 

Talvez a pesquisa do IPEA até apresente erros de elaboração – como se tem debatido na mídia –, mas, no fim, ela apenas mostrou um deprimente retrato social, composto por pessoas de pensamento machista e alienadas por ideias que motivem a repressão (me refiro também à repercussão dos dados). Caso contrário elas não teriam concordado com um conceito pobre, que em nada justifica esse tipo de violência. 

A verdade é que nenhuma minissaia, ou uma blusa mais curta ou decotada, nada disso explica os atos de agressão que tentam ser abonados de uma maneira tão incrédula. Senão, crianças, adolescentes e até idosos não seriam abusados. Senão, em países como os do Oriente Médio, por exemplo, onde as mulheres devem estar cobertas dos pés à cabeça – por uma questão cultural e religiosa –, não seriam violentadas da mesma forma. 

Não sejamos ingênuos... estamos lidando com um problema de ordem mundial. Por isso, lamento o resultado da pesquisa em suas diversas extensões. Infelizmente vejo que ainda estamos em um mundo onde as pessoas possuem uma mentalidade atrasada, que pregam a subordinação feminina. 

Temos o livre arbítrio de pensamento e opinião, e se elas não podem ser expostas e debatidas, qual a finalidade, então? Só peço que, homens e mulheres, por favor, encarem o estupro como um crime hediondo, porque é isso o que ele é: uma selvageria que agride a mulher física e emocionalmente; que deixa marcas para a vida inteira. Não fechem os olhos para uma realidade que merece reconhecimento, denúncia e, sobretudo, punição.


Érika: De acordo com o jornal O Povo, dados das Organizações das Nações Unidas revelam que mais de 70% das mulheres em todo o mundo sofrem violência de gênero e que uma em cada cinco mulheres seja vitima de estupro. Tentei procurar dados que expusessem a realidade brasileira, mas tudo com relação ao tema é muito impreciso. E falando especificamente em crime sexual acredito que as estatísticas são subestimadas.

Depois de tudo que foi dito a respeito do tema e de todas as tentativas de “justificar” a possível inclinação dos brasileiros (e brasileiras) de responsabilizar a vítima pelos abusos sofridos fica evidente que viveríamos em um país justo e seguro se não fossem as vítimas. Concluo afirmando que não são as trapalhadas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada que devem nos envergonhar. O que nos envergonha e deveria causar repulsa é a tolerância social frente à violência. 

Não sou feminista. Não queimo sutiãs. Não participo da Marcha das Vadias. Sou apenas mulher. E, portanto, antes de me aconselhar com frases como “se dê ao respeito”, seria interessante que um pouco de respeito me fosse ofertado.





A coluna Entre Aspas tem o objetivo de proporcionar ao leitor mais de um ponto de vista sobre temas atuais. E como alguns temas polêmicos podem ganhar espaço aqui sempre teremos um ou mais convidados para enriquecer as discussões que podem (e devem) continuar nos comentários


Intrínseca

[Resenha]: A garota que você deixou para trás

23:06

Título: A garota que você deixou para trás | Autora: Jojo Moyes | Editora: Intrínseca | Edição: 1 | Páginas: 384 | Nota: 5 de 5

Sinopse: Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo — a família, a reputação e a vida — na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.



Comentários

"Saiba, minha querida, que marco cada dia, não do mesmo modo que meus companheiros, grato por ter sido mais um a ter sobrevivido, mas agradecendo a Deus pelo fato de cada um significar que seguramente devo estar vinte e quatro horas mais perto de voltar para você."

Página 67


Quem acompanha a “Na Nossa Estante” sabe que eu conheci o trabalho da Jojo Moyes a partir de ‘A Última Carta de Amor’ e gostei bastante da forma como a autora construiu a narrativa e da caracterização dos personagens. No início deste ano tive a oportunidade de ler ‘Como eu era antes de você’, e o livro acabou se tornando uma das minhas leituras favoritas. Então comecei a ler ‘A garota que você deixou para trás’ com altas expectativas e ao terminar a leitura ficou mais notório que a Jojo possui uma incrível habilidade de criar narrativas intensas e envolventes.

‘A garota que você deixou para trás’ tem início em 1916, na França ocupada pela Alemanha em função dos conflitos da Primeira Guerra Mundial. Nesse cenário conhecemos Sophie Lefèvre. Após a ida de seu marido, Édouard, para o front Sophie retorna para sua pequena cidade natal a fim de ajudar sua irmã a cuidar do irmão mais novo e dos sobrinhos. Vivendo no antigo hotel da família, que assim com as demais propriedades fora saqueado pelos alemães, ela enfrenta a subnutrição, a carência de todos os tipos de recursos e a violência do exército inimigo. 

Imersa nesse cenário de privações, Sophie se apega as lembranças da vida que tinha em Paris e as poucas notícias que recebia do marido no campo de batalhas. Dentre essas lembranças, um quadro pintado por Édouard em sua homenagem faz com que Sophie encontre forças para enfrentar os reveses da guerra. 

Em um dos períodos de maior intensificação da presença alemã na França, Sophie e Hèlene – sua irmã – são obrigadas a servir refeições diárias ao Kommandant e seus subordinados. Mesmo com as desconfianças que tal aproximação com os alemães causaram entre os outros moradores da cidade, Sophie vê nessa nova condição uma oportunidade de sua família se alimentar melhor e de tentar descobrir alguma informação sobre seu marido. Apesar de perceber os riscos desse tipo de relação, com o passar do tempo Sophie e o Kommandant passam a conversar mais sobre assuntos não relacionados aos conflitos e esse envolvimento terá consequências até muito tempo depois. 

Em seguida a narrativa vai para Londres, em 2006, e conhecemos Liv Halston - uma jovem que tenta retomar sua vida após a morte precoce de seu marido, David. Vivendo em uma casa de vidro, projetada por David, e em um padrão de vida que não era mais capaz de manter, Liv parece não ter motivação para realizar as atividades mais corriqueiras. As dificuldades financeiras e a saudade do marido fazem com que Liv opte por uma vida reclusa e permeada pelas lembranças da época em que as coisas corriam bem, em especial um quadro que ela ganhou do marido na lua de mel. O quadro, ‘A garota que você deixou para trás’, retrata uma jovem linda e confiante e durante os piores momentos após a morte de David era olhar para a imagem dessa jovem que dava forças para Liv se levantar da cama.

Em uma de suas tentativas de retomar sua vida, Liv conhece Paul. Bonito e gentil, Paul MacCafferty acaba confundindo os sentimentos de Liv – que mesmo sem querer “deixar” David, vai se permitindo se envolver aos poucos. No entanto, as consequências do encontro dos dois não se limitarão apenas ao campo amoroso. 

A narrativa se desenvolve de forma surpreendente até a aproximação das duas histórias. Jojo, mais uma vez, construiu um enredo capaz de envolver e emocionar os leitores. Também vale a pena destacar o trabalho de pesquisa realizado pela autora tanto no que se refere ao mercado de obras de arte quanto aos acontecimentos da Primeira Guerra Mundial, que nem sempre ganham espaço na literatura. 


- Imaginar o que? 
- O que se perde. Só tentando se agarrar a umas poucas coisas 

Página 359


Similaridades entre as personagens

Sophie e Liv têm suas histórias separadas por quase cem anos, no entanto, as duas protagonistas apresentam muitas afinidades. Jojo criou duas personagens femininas fortes, cada uma a sua maneira. As duas são extremamente obstinadas e lutam até as últimas consequências pelo que acreditam. 



Estrutura

O livro é dividido em duas partes. A primeira trás o desenvolvimento da história de Sophie e é narrada em primeira pessoa. Na segunda parte, em que conhecemos Liv, a narração acontece em terceira pessoa.
Os capítulos possuem tamanho mediano e apresentam ótimos ganchos, principalmente na parte de Sophie. Já nos anos 2000, quando as histórias se cruzam, há ainda alguns capítulos que narram as lacunas da história durante a Primeira Guerra. 




Érika Rodrigues

Cardápio

Indicações para a sua estante #7

17:43

Fale! - Laurie Halse Anderson

“Fale sobre você... Queremos saber o que tem a dizer.” Desde o primeiro momento, quando começou a estudar no colégio Merryweather, Melinda sabia que isso não passava de uma mentira deslavada, uma típica farsa encenada para os calouros. Os poucos amigos que tinha, ela perdeu ou vai perder, acabou isolada e jogada para escanteio. O que não é de admirar, afinal, a garota ligou para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia.

E agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra - insultos e deboches, sim - ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Com o passar dos dias, Melinda vai murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir.
Finalmente encontra abrigo nas aulas de arte, e será por meio de seu projeto artístico que tentará retomar a vida e enfrentar seus demônios: o que, de fato, ocorreu naquela maldita festa?


Eleanor & Park - Rainbow Rowell


Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.



Minha Metade Silenciosa - Andrew Smith

Stark McClellan tem 14 anos. Por ser muito alto e magro, tem o apelido de Palito, mas sofre bullying mesmo porque é “deformado”, já que nasceu apenas com uma orelha. Seu irmão mais velho, Bosten, o defende em qualquer situação, porém ambos não conseguem se proteger de seus pais abusivos, que os castigam violentamente quase todos os dias. Ao enfrentar as dificuldades da adolescência estando em um lar hostil e sem afeto – com o agravante de se achar uma aberração –, o garoto tem na amizade e no apoio do irmão sua referência de amor, e é com ela que ambos sobrevivem. Um dia, porém, um episódio faz azedar terrivelmente a relação entre Bosten e o pai. Para fugir de sua ira, o rapaz se vê obrigado a ir embora de casa, e desaparece no mundo. Palito precisa encontrá-lo, ou nunca se sentirá completo novamente. A busca se transforma em um ritual de passagem rumo ao amadurecimento, no qual ele conhece gente má, mas também pessoas boas. Com um texto emocionante, personagens tocantes e situações realistas, não há como não se identificar e se envolver com este poético livro.


Então, o que acharam das nossas indicações para o mês de abril?


Érika Rodrigues

Cardápio

Frame – Brilho eterno de uma mente sem lembranças

14:32





Olá leitores,

O frame de hoje foi extraído do filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Vencedor do óscar de melhor roteiro original, o filme conta as tentativas de Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) de fazer o relacionamento dar certo. Desiludida com o fracasso, Clementine decide esquecer Joel para sempre e, para tanto, aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele. Após saber de sua atitude Joel entra em depressão, frustrado por ainda estar apaixonado por alguém que quer esquecê-lo. Decidido a superar a questão, Joel também se submete ao tratamento experimental. 



Clementine: É isso, Joel. Vai acabar logo.

Joel: Eu sei.

Clementine: O que faremos?

Joel: Aproveitamos.



Queria muito compartilhar com vocês minha cena favorita do filme, mas acho que tiraria a graça de quem ainda pretende assisti-lo. No entanto, escolhi outra que também adoro para compartilhar com vocês.







Vale a pena prestar atenção na trilha sonora!







O que acharam da sugestão? Já conheciam o filme?

Érika Rodrigues

Intrínseca

[Resenha]: O lado bom da vida (Matthew Quick)

01:25

Título: O lado bom da vida | Autor: Matthew Quick | Editora: Intrínseca | Edição: 1 Páginas: 255 | Nota: 2,5 de 5



Sinopse: Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um "tempo separados". Tentando recompor o quebra-cabeças de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com seu pai se recusando a falar com ele, a esposa negando-se a aceitar revê-lo e os amigos evitando comentar o que aconteceu antes da internação, Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida. Uma história comovente e encantadora, de um homem que não desiste da felicidade, do amor e de ter esperança.



Comentários 





“A essa altura, dez árvores já devem ter sido derrubadas só para documentar minha saúde mental.” 
Página 14




Gostaria de deixar claro que essa resenha contém apenas impressões sobre o livro, já que optei por não assistir ao filme antes de realizar a leitura. A narrativa construída por Metthew Quick se enquadra no gênero ‘Sick-lit’ e aborda os desafios enfrentados por Pat Peoples ao tentar retomar sua vida após deixar uma clínica psiquiátrica. 

Durante o tempo em que passou internado no “lugar ruim” (como Pat chama a instituição psiquiátrica), o protagonista resolveu adotar uma postura mais otimista e tentar ver o melhor de cada situação; bem como praticar a gentileza. Tais mudanças tinham como principal objetivo o fato de que Pat pretendia reconquistar Nikki – sua esposa - e dar fim ao “tempo separados”. 

Ao longo da narrativa, Pat não consegue lembrar o motivo que o levou a ficar internado em uma clínica psiquiátrica nem o tempo exato que passou lá. Também não lembra o motivo pelo qual ele e Nikki estavam separados. O fato é que ao sair da clínica, Pat volta a morar com os pais e dedica todo o seu tempo livre a prática de exercícios e a realização de leituras dos livros que Nikki, que é professora de literatura, costuma indicar para seus estudantes. Tudo a fim de se tornar mais atraente para quando Nikki voltasse. 


O retorno à casa dos pais faz com que o autor consiga abordar de uma maneira interessante uma série de conflitos familiares que envolvem os pais do protagonista e Jake, seu irmão. Este retorno também permite que Pat se reaproxime de antigos amigos e é a partir de um desses contatos que ele conhece Tiffany, uma mulher introspectiva e séria que está se recuperando da perda do marido. Apesar de tê-la conhecido em um jantar, os dois se aproximam por meio das corridas diárias que praticavam. O enredo aborda ainda as consultas de Pat com o terapeuta Dr. Patel e como a amizade que vai sendo construída entre os dois desde o primeiro momento ajuda na evolução do protagonista. 



No geral eu achei que o livro foi um pouco superestimado. Sei que provavelmente vou ser crucificada por isso, mas achei que o autor exagerou nas descrições de partidas e assuntos relacionados ao futebol americano; bem como na tentativa de mostrar que Pat é um homem de boa fé e bom coração. Em alguns momentos a ingenuidade do protagonista não correspondia às atitudes de um homem de mais de 30 anos. Mesmo assim, ainda consegui criar certa empatia pelo personagem principalmente quando este se relacionava com a mãe ou com o irmão. Dentre todos as personagens, Tiffany foi a que menos gostei e honestamente não consegui encontrar nela a simpatia e o humor que muita gente já tinha comentado. 




“ – A vida é dura, Pat, e os jovens têm de saber o quão difícil ela pode ser. 
- Por quê? 
- Para que sejam solidários. Para que compreendam que algumas pessoas têm mais dificuldades do que eles, e que uma passagem por esse mundo pode ser uma experiência totalmente diferente, dependendo de quais substâncias químicas estão ativas na mente de um indivíduo.” 

Página 166





Sobre a estrutura 



O livro é narrado em primeira pessoa. A narração é carregada de impressões de Pat e a história vira quase um diário, mas como se tratava da recuperação do personagem, acredito que o estilo de narração funcionou. 

O tamanho e a composição dos capítulos me deixaram um pouco incomodada. Alguns são muito curtos – com cerca de duas páginas – e não apresentam boa continuidade. Isso atrapalhou um pouco o meu ritmo de leitura e me fez ter a impressão de que até o meio do livro a história não fluía.


Assista ao trailer do filme









Érika Rodrigues

Arqueiro

Encontro literário e os Romances de época

15:01



Olá leitores,

O cardápio de hoje traz uma dica de evento para os amantes dos romances de época. 

A Editora Arqueiro em parceria com o pessoal do Clube do Livro Saraiva SE promovem no sábado, dia 12 de abril, um encontro literário a fim de debater os mais recentes romances de época lançados pela editora. O encontro de Aracaju acontece às 15 horas, na livraria Saraiva, localizada no Shopping Riomar.

O encontro também acontecerá em outras 23 cidades e tem por objetivo promover a troca de informações sobre as séries “Os Bridgertons” (com o lançamento de ‘Um Perfeito Cavalheiro’), “Os Hathaways” (através do lançamento de ‘Tentação ao Pôr do Sol’) e da recente publicação do terceiro livro da Madeline Hunter, ‘Jogos de Prazer’.



Lembrete! 
Sábado, 12 de abril, às 15h, na Saraiva do Shopping Riomar.


Confira a resenha do primeiro livro da série “Os Bridgertons”: O Duque e eu


.

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-SemDerivações-SemDerivados 2.5 Brasil.