[Cine Relicário]: Homens, mulheres e filhos

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Olá leitores!

Hoje venho apresentar mais uma coluna novinha aqui no Relicário. O espaço se chamará Cine Relicário e nele eu vou mostrar algumas dicas de filmes com comentários. Para estreia da coluna escolhi “Homens, mulheres e filhos”. De antemão, esclareço que as opiniões expressas aqui não constituem uma crítica especializada. Apenas divago um pouco sobre a minha experiência com o filme. 

Sinopse: Adultos, adolescentes e crianças amam, sofrem, se relacionam e compartilham tudo, sempre conectados. A internet é onipresente e, nesta grande rede em que o mundo se transformou, as ideias de sociedade e interação social ganham um novo significado. Algumas situações como um casal que não tem intimidade; uma garota que quer ser uma anoréxica melhor; um adolescente que vive em num mundo de pornografia virtual, fazem o expectador repensar a relações humanas.




Comentários

Os primeiros comentários que li a respeito do filme tratavam muito do fato de que a obra se propõe a abordar os conflitos de gerações entre os “super conectados” e seus pais que tentam compreender o universo dos filhos e protegê-los de possíveis perigos. Ao final, percebo que não fiquei com essa sensação. Claro que esse é um tema explícito ao longo do filme, mas para mim a grande questão abordada é a nossa inabilidade social e como estamos cada vez mais isolados. 

Ao longo da história acompanhamos vários alunos do ensino médio, e seus respectivos pais, envolvidos em situações comuns dessa etapa da vida, como descoberta e desenvolvimento da sexualidade, problemas de autoestima e busca por afirmação social. A grande questão é que todos eles procuram na tecnologia formas de lidar ou de escapar desses problemas. Até aí tudo bem, mas considerei esquisito, dentro da proposta do filme, o fato de que muitos pais desses adolescentes também utilizarem a internet como mecanismo para enfrentar problemas cotidianos, como as frustrações com o casamento no caso do personagem de Adam Sandler. 

Mesmo achando que foi uma experiência válida assistir a Homens, mulheres e filhos, não pude evitar certo estranhamento com o filme. Achei tudo muito cru, explorado superficialmente. Não conseguimos nos aproximar dos personagens porque não os conhecemos por completo. Somo apresentados às suas patologias e não as origens efetivas de cada comportamento. 

Além do fato de não dar ênfase ao que pra mim era o ponto crucial na discussão proposta: o isolamento. A sensação de que temos muitos problemas para enfrentar as questões da vida real e que isso não está necessariamente relacionado com a geração - ou com o desenvolvimento da tecnologia - foi tão latente que me causou até um pouco de tristeza. No filme, todos os personagens, pais e filhos, vivem a margem do convívio social por opção. Estão em locais públicos ou em casa, mas não dialogam. Dentre tantas coisas, não foi ressaltado que a tecnologia não é exatamente o problema, mas sim o uso que estamos fazendo desta.





Referências

O que me chamou mais atenção durante todo o filme foi à referência ao vídeo “Pálido Ponto Azul” de Carl Sagan. A obra apresenta as reflexões do autor sobre uma foto do nosso planeta tirado pela sonda Voyager. Tal reflexão aborda o tamanho da terra, e dos homens, frente à imensidão do universo. 

*“As nossas posturas, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.”

*Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1lido_Ponto_Azul



Érika Rodrigues

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7 comentários

  1. Oi Érika, tudo bem?
    Gostei muito da sua resenha desse filme! Eu tenho ouvido muita gente comentar sobre ele, acredito eu que isso se deva principalmente ao fato de Ansel Elgort está no filme!
    Apesar de o filme ter uma proposta interessante, percebo pela sua resenha que o tema não foi explorado bem como poderia ter sido.
    Não sei se tenho interesse em assistir, mas quem sabe né?

    Beijo :*
    http://www.livrosesonhos.com/

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  2. Olá, fiquei interessada em assistir esse filme, sempre passo por ele no megafilmes e não assisto, tipo, criei um pré-conceito.
    Mas agora quero assistir. ;)
    Beijo grande, adorei conhecer seu espaço.
    www.estavalendoedai.blogspot.com.br

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  3. Parece ser um belo filme.
    Cadinho RoCo

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  4. Érika, confesso que meu interesse por este filme surgiu a partir da participação da atriz Jennifer Garner (minha favorita), mas o tema, em si, não me é tão atrativo. Claro, é super importante pensarmos sobre a presença da tecnologia em nossas vidas, contudo, não é algo que eu esteja procurando no momento. E essa não é a primeira crítica que eu leio, onde é frisado sobre a superficialidade da trama. Que pena. Acho que tinha tudo para render boas discussões... enfim, mesmo assim pretendo assistir, pela Jen!!! :)

    Abraços,
    http://universoliterario.blogspot.com.br/

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  5. Oi Érika!
    Eu assisti o filme há alguns dias atras e estou louca para ler o livro. Gostei bastante do tema abordado na história. Porém, uma coisa fez com que diminuísse vários pontos para mim. O fato de no filme dar uma ideia mais romantizada, quando na verdade não era pra ter, entende?
    Adorei o post :)

    Bjs,

    http://blogimaginacaoliteraria.blogspot.com/

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  6. Oiii. Eu fiquei bem interessada com a premissa desse filme, além claro de ter o Ansel lindo do meu coração! Mas agora desanimei um pouco pelos problemas que você apontou, mas ainda pretendo assistir pra ver se compartilho da mesma opinião. Quem sabe, talvez, essa sensação de superficialidade e pouco exploração não seja por ser uma adaptação. Mas acho que o tema ainda é válido e interessante para refletirmos, como você, disse sore o uso que fazemos da tecnologia para encobrirmos os problemas.
    Beijos!
    Debora.
    http://vanille-vie.blogspot.com.br/

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  7. Oi Erika. Eu também não gostei tanto desse filme como pensei que gostaria a partir da proposta criada. Não havia pensado em muitos dos seus apontamentos nesse texto, o qual adorei, diga-se de passagem. Que venha mais uma postagem para essa coluna. Forte Abraço.

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