[Resenha]: As pontes de Madison (Robert James Waller)

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Título: As pontes de Madison | Autor: Robert James Waller | Editora: Única | Edição: 1 | Páginas: 192 | Nota:

Sinopse: O ano é 1965, e a cidade de Iowa, interior dos Estados Unidos, parece estar ainda mais quente nesse verão. Francesca Johnson, uma mãe de família que vive uma vida pacata do campo, não espera nada além dessa temporada do que o retorno dos filhos e do marido, que viajaram. Sua tranquilidade, porém, será interrompida com a chegada de Robert Kincaid, um fotógrafo de espírito aventureiro que recebeu a missão de registrar as belíssimas pontes de Madison County.

Francesca e Robert comprovaram para o mundo que o valor das coisas está realmente na intensidade que elas carregam e não no tempo que duram. Casada, mãe, Francesca não deveria ter sentimentos tão fortes por esse fotógrafo. Assim como ele, um homem tão livre, nunca se viu tão preso a alguém que acabou de conhecer. E é justamente assim que as paixões intensas funcionam: é como ser atingido por um raio quando menos se espera, e, de repente, seu corpo e sua existência estão preenchidos de energia, sem ter como voltar atrás para o estado anterior. E perdemos todo e qualquer pudor ao ver que é possível, uma vez mais, encontrar espaço para dançar.

As pontes de Madison dá voz aos anseios de homens e mulheres de todo mundo e mostra, por meio desse encontro fortuito e avassalador, o que é amar e ser amado de forma tão ardente que a vida nunca mais será a mesma.


*Este livro foi cedido pela editora para leitura 

Comentários

"A abstinência de suas recordações havia sido uma questão de sobrevivência. Apesar disso, nos últimos tempos, os detalhes vinham com uma frequência cada vez maior." 
Página 121

Confesso que não sei dizer exatamente o que me atraiu em As Pontes de Madison. Talvez tenha sido um misto de tudo: título, sinopse e por ser adaptado ao cinema de maneira tão bem sucedida. O certo é que nada disso me preparou para a história linda contida em menos de duzentas páginas. As pontes de Madison apresenta uma narrativa tão real, tão possível que chega a ser cruel. Mas a verossimilhança em nada tira a beleza da história contada por Robert Waller. 

O livro tem início apresentado Robert Kincaid, um fotógrafo sem amarras que vive pelo mundo registrando paisagens e lugares exóticos para a National Geographic. Em seu trabalho mais recente, Robert deve fotografar as sete pontes de Madison Country, uma pequena cidade rural localizada no estado de Iowa, interior dos Estados Unidos. Seis pontes são encontradas facilmente pelo personagem, mas a sétima (Ponte Roseman) exigiu que este parasse em uma propriedade para pedir informações. 

Quem o direciona é Francesca. Uma dona de casa italiana, mãe de dois adolescentes e casada. Desde o primeiro encontro dos dois, Francesca não consegue negar a atração que sentiu pelo forasteiro, a admiração pelo seu trabalho e modo como ele levava a vida. Não dá pra dizer que a relação entre eles foi construída aos poucos já que tudo que se segue entre os dois acontece em um período de quatro dias. No entanto, a impressão que temos ao ler é que tudo foi surgindo de forma cadenciada: uma conversa, um jantar e um romance intenso. A partir do reconhecimento da intensidade do que um sentia pelo outro, ambos são levados a tomar decisões difíceis afinal suas vidas eram estabelecidas sobre bases bem diferentes 

Eu já mencionei várias vezes aqui no blog que não sou uma grande fã de romances, principalmente esses que de tão açucarados chegam a ser enjoativos. Para minha sorte o romance construído por Waller não tem nada daquilo que me desagrada. Primeiro nós temos um casal maduro (Francesca com mais de 40 anos e Robert com mais de 50), o que tira da narrativa todas aquelas crises existenciais da juventude. Depois, a história se desenvolve de maneira tão natural que fica difícil não se identificar. Tudo que o autor nos apresenta, cada atitude dos personagens encontra respaldo na vida real. 

Robert e Francesca nos ensinam que o tempo que uma relação dura não está diretamente ligado à intensidade dos sentimentos. E que às vezes abrir mão de uma situação é a nossa maior demonstração de afeto. Devo dizer também que não só me identifiquei como me emocionei com a história. No primeiro paragrafo mencionei que essa história é tão real que chega a ser cruel, pois foi exatamente isso que me emocionou e colocou As Pontes de Madison como um das melhores leituras do ano.

Érika Rodrigues

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5 comentários

  1. Oi! A história eu conheço apenas do filme e só quando vi o lançamento que soube que havia um livro também, no filme, a trama é linda e comovente, espero uma hora dessas conferir esta obra e curtir tanto quanto você.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  2. Oi Érika!
    Não sei porque, mas sempre acho que esse livro é imenso e me surpreendo quando mencionam as meras 200 páginas.
    Assim como você, eu também não sou muito chegada a romances, mas acho interessante a abordagem desse com um casal assim maduro.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  3. Uou! Que resenha maravilhosa, dá para ver como realmente o livro te tocou! Eu já tinha ouvido falar nele por conta do filme, mas nunca nem vi o filme ou li o livro :/ Agora preciso mudar isso, mesmo não sendo lá tão chegada nos romances. Bjos e parabéns pela resenha!

    Tici | www.bibliophiliarium.com

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  4. Érika, é tão bom quando encontramos um mar de intensidade em tão poucas páginas. Isso nos mostra que qualidade não é quantidade. Enfim, parece ser um romance difícil e emocionante... eu adoraria lê-lo. :))

    Abraços!
    www.universoliterario.com.br

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  5. Hi, migaaa! Você sabe que não li o livro, mas, finalmente, vi o filme - ontem - e acho que foi por isso que só de ler seus comentários me veio uma sensação angustiante, a mesma que senti da metade para o final da história. Difícil a pessoa não ficar mexida. Eu não sei o que é pior, se é ter ou não a "sorte" de Francesca e Robert. Só sei que o que ficou para mim foi o peso das decisões que tomamos.

    P.s.: Veja o filme, cara! Acho que você vai gostar e se prepare pra se emocionar de novo. E ainda sobre o filme, me lembrou muuuuuuuito "Incêndios ", outro que não foi fácil superar.

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