[Resenha]: A Insustentável Leveza do Ser (Milan Kundera)

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Título: A Insustentável Leveza do Ser | Autor: Milan Kundera | Editora: Bis (Edição Portuguesa) | Edição: 1 | Nota: 

Sinopse: O livro, de 1982, tem quatro protagonistas: Tereza e Tomas, Sabina e Franz. Por força de suas escolhas ou por interferência do acaso, cada um deles experimenta, à sua maneira, o peso insustentável que baliza a vida, esse permanente exercício de reconhecer a opressão e de tentar amenizá-la.





Comentários



"Quem se entrega ao outro como um soldado se deixa fazer prisioneiro tem de despojar-se previamente de todas as armas. Vendo-se sem defesas, não pode coibir-se de estar sempre a pensar no momento em que o golpe fatal será dado."
 Página 102

Quem me conhece ou acompanha o blog já sabe que uma das minhas manias literárias está relacionada a títulos de livros. E “A insustentável leveza do ser” foi parar na minha lista (interminável) de leitura justamente por ter esse título tão poético. Apesar da vontade de ler a obra do Kundera já existir há algum tempo, a oportunidade surgiu recentemente na terceira edição do projeto Leitura Compartilhada.

Em A Insustentável Leveza do Ser somos apresentados a um ensaio quase filosófico sobre o amor. A partir das experiências e vivências de Tomas, Tereza, Franz e Sabina, o autor explora as diversas facetas desse sentimento em nossas vidas e o peso das escolhas que fazemos em nome dele. 

A história dos quatro personagens é apresentada no contexto do domínio soviético na antiga Tchecoslováquia no final da década de 60 e década de 70. É bastante complicado falar sobre a narrativa desse livro já que o foco dessa história não está necessariamente no encadeamento dos fatos. Milan construiu uma narrativa atemporal contada a partir de um narrador observador participante. Nem sei se essa denominação existe, mas representa a melhor maneira de explicar o narrador de A insustentável leveza do ser. Ele (o narrador/autor) não apenas nos relata os acontecimentos e sim nos dá um panorama de situações, sentimentos e até interfere e comenta sua própria narrativa.

De início e para quem não está habituado com esse modelo de narrativa tudo isso pode soar um pouco confuso, mas garanto que a leitura não é de maneira alguma complicada. No entanto, sugiro que não seja feita de maneira apressada. Essa narrativa é bem reflexiva e não apresenta muitos diálogos. Kundera exige que o leitor pense junto com ele sobre as questões que ele explora a partir de cada um de seus personagens.

Um dos aspectos mais interessantes dessa história está na dualidade entre o peso e a leveza. Esses dois conceitos são apresentados ao leitor desde o início da narrativa e seguem sendo explorados a partir de cada grande decisão de algum dos personagens. A abordagem de Kundera mostra como às vezes somos surpreendidos por um revés em situações que julgamos positivas. Essa dicotomia também é explorada na personalidade dos personagens. De dois em dois eles são peso e leveza. Na relação entre Tomas e Tereza; ela é o peso e ele a leveza e entre Franz e Sabina, ele é o peso e ela é a leveza. Tais conceitos se justificam na forma como cada um deles vive o amor. 



Leitura Compartilhada

A leitura desse livro faz parte do projeto Leitura Compartilhada em que eu, a Fran (Universo Literário) e o Clóvis (De frente com os livros) nos propomos a ler o mesmo livro durante o mesmo período e depois gravar um vídeo com os nosso comentários. O vídeo dessa edição ficou um pouco grande, mas nele você poderá conferir as perspectivas e opiniões dos outros participantes. 




Érika Rodrigues

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1 comentários

  1. Oie Érika =)

    Não conhecia o livro e nem a autora, mas a premissa me pareceu bastante interessante ^^
    Ótima resenha!

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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