Resenha: O Rouxinol – Kristin Hannah

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Título: O Rouxinol | Autora: Kristin Hannah | Editora: Arqueiro | Edição: 1 | Páginas: 432 | Nota: 3,5 de 5
Sinopse: No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes. Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva. Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.


Comentários

"Se há uma coisa que aprendi nesta minha longa vida foi o seguinte: no amor, nos descobrimos quem desejamos ser; na guerra, descobrimos quem somos. Os jovens de hoje querem saber tudo sobre todo mundo. Acham que falar a respeito vai resolver um problema. Eu venho de uma geração mais calada. Nós entendemos o valor do esquecimentos, o fascínio da reinvenção."

Setenta anos separam a nossa realidade da Europa ao final da Segunda Guerra Mundial. De lá para cá, a literatura e o cinema tentam reconstruir aquela cruel realidade a fim de nos dar a dimensão dos fatores que culminaram na guerra e das atrocidades que assolaram a população dos países atingidos pela ocupação nazista. Em O Rouxinol, Kristin Hannah opta por nos contar um pouco dessa realidade a partir do papel da mulher na França durante os anos de dominação alemã.

A narrativa aborda as mudanças na vida de duas irmãs, Viene e Isabelle, desde os primeiros momentos da invasão a França até o fim dos conflitos, em 1945. Viene reside com seu esposo – convocado para o fronte – e sua filha Sophie em uma pequeno vilarejo de Carriveau. Cautelosa, Viene acreditava que a invasão alemã fosse durar pouco e os soldados franceses seriam capazes de garantir a segurança do país. Tudo muda, no entanto, com a intensificação da presença dos alemães na cidade e com a notícia de que seria obrigada a hospedar em sua casa um oficial inimigo ou perder seus bens.

Isabelle, a irmã mais nova, tem muito da juventude na construção de seu personagem. É impetuosa, destemida, intempestiva e tem um pouco de rancor do pai e da irmã pelos anos vividos em diferentes internatos após a morte da mãe. Com as notícias da invasão alemã e a efetiva ocupação acontecendo, Isabelle não se contenta em assumir o papel representado pela maioria das mulheres e decide participar ativamente da libertação de seu país.

As duas representam sobrevivência e resistência durante o curso dessa narrativa. Ambas fazendo o máximo e indo além dos limites pessoais e legais por seus objetivos: Viene, pela segurança de sua família e Isabelle, pela França livre. A história contada por Hannah, além de um trabalho de pesquisa minucioso abre espaço para a história da mulher na guerra, normalmente encarada como coadjuvante. A autora fala de mulheres acima de tudo fortes. Mulheres que conviveram com o inimigo, que passaram horas nas filas por comida, que queimaram móveis para enfrentar o inverno e que enganaram os nazistas justamente por terem seu papel subestimado.

O Rouxinol é um história rica e muito triste, devo dizer. Uma daquelas narrativas que ficam na nossa cabeça e nos trazem um turbilhão de emoções. Um aspecto interessante desse livro é que a autora não trouxe apenas as atrocidades cometidas com os judeus, como a maioria das obras tratam. Devo acrescentar, por fim, que me envolvi bastante com a história de Viene e com todos os dramas que sua personagem enfrentou. Já Isabelle me causou enorme antipatia. Apesar do seu desejo de fazer a diferença, suas atitudes irresponsáveis me incomodaram bastante e pesaram na minha avaliação da história. Mesmo com essas ressalvas, O Rouxinol é uma leitura muito recomendada.


Érika Rodrigues

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3 comentários

  1. Oi, Érika!

    Gostei bastante da sua resenha... temos uma visão bem semelhante do livro, aliás. Confesso que quando vi sua mensagem no twitter, achei que algum fato sobre a guerra em si havia te incomodado a ponto de você não gostar tanto do livro. Mas ao ler esse post percebi que, na realidade, o que pesou na sua avaliação foi o entorno de uma das personagens principais. Essa coisa de não curtir uma personalidade e seus atos implica muito no ato da leitura, na forma como ficamos a vontade com ela (ou não). A forma inconsequente como a Isabelle agiu não me agradou muito, também, mas acabei não me apegando muito a isso... levei mais em consideração todo o resto, tantas particularidades, que para mim compensaram bastante.

    Enfim, é um livro emocionante e triste, de muita qualidade... isso não dá para negar.

    Abraços,
    Francielle
    http://www.universoliterario.com.br/

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  2. Oi, Érika!

    Muito esclarecedora sua resenha! Eu só tinha lido elogios até agora sobre a história, mas é bom saber que uma protagonista não é muito agradável.

    Ainda estou estou muito curiosa pelo livro. Uma pena que me comprometi a esperar um pouco antes de comprar novos títulos... xD

    Bjs!

    livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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  3. Saudações Lady Érika,
    Sou uma apaixonada por Guerras e as narrativas advindas do fato. Mas sempre deixam essa sensação de pesar e de dias e noites revivendo cada uma das páginas desses livros.
    Quero muito ler O Rouxinal - acho que por isso torci tanto no sorteio hauahuahauha -, mesmo sabendo que entrarei numa crise e ressaca literárias sem precedentes. Prometo voltar aqui para deixar as minhas reais impressões sobre a leitura!


    Venha visitar o Castelo Att Ana P. Maia ♛ The Queens Castle

    Stânix - O poder dos elementos

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