Por que o revival de Gilmore Girls não é tudo aquilo que esperávamos?

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OBS: O texto está longo e contém spoilers

Após assistir os quatro capítulos propostos para a retomada de Gilmore Girls por seus produtores originais estava decidida a não entrar na polêmica sobre a relevância desse revival para os fãs da série. Mas tantas coisas me incomodaram em ‘Um ano para recordar’ que simplesmente não consegui ficar quieta.

Mais importante do que o frenesi em torno da escolha entre os três namorados de Rory (Logan, Jess e Dean) a grande expectativa que permeava o meu imaginário, desde o anúncio da Netflix, estava relacionada a evolução dos personagens principais e secundários ao longo dos nove anos que separam o fim da série e esse lançamento. E foi justamente aí que residiu também a minha maior frustação.

Antes de apontar o que me desagradou quero deixar claro que eu adoro a série. Gilmore Girls me tornou “seriadora” e eu simplesmente me moldei, no fim da infância e adolescência, a partir do personagem da Rory, além do fato de admirar a relação mãe e filha das Lorolais e de sonhar conhecer Stars Hollow. Mas todo esse amor não foi suficiente para esse revival. 



Como comentei anteriormente a falta de evolução dos personagens foi o que mais me desagradou em termos gerais. Durante vários momentos de ‘Um ano para recordar’ fiquei com a sensação de que já tinha visto aquilo antes. E, sim, eu já tinha visto antes. Por exemplo, nós já vimos Lorolai fugir para casar e excluir a família do processo, já vimos que Rory tem dificuldades de estabelecer uma relação, já vimos Rory e Logan em um relacionamento sem compromisso e o quanto Lorolai pode ser insensível com sua mãe, Emily. E depois de nove anos eu queria mais do que eu já tinha visto antes. Acho que todos os fãs queriam.

Partindo para questões específicas dos personagens acho que Lane e Sookie foram subjugadas a meros coadjuvantes. Sookie aparece apenas em uma cena, enquanto Lane só aparece como suporte para os problemas de Rory. Para mim isso foi bem frustrante já que costumávamos ver detalhes específicos da vida das duas e não saber, por exemplo, como Lane lida com a educação dos gêmeos (já que acompanhamos durante anos sua educação rígida e suas transgressões) me deixou bem decepcionada.

Duas outras coisas que me incomodaram bastante valem ser citadas aqui. Primeiro a maneira como Lorolai pressiona Emily sobre as medidas de um quadro que a mesma mandou fazer em homenagem a Richard. Fiquei tão incomodada com a forma como Lorolai tratou o assunto que talvez pela primeira vez, em sete temporadas mais um revival, eu fiquei do lado da Emily. E segundo, temos uma cena enorme, enorme mesmo, sobre um musical que a cidade de Stars Hollow está produzindo. Eu sei que os habitantes dessa cidade produzem coisas malucas, mas o tempo dedicado a isso na série foi insano e eu me peguei pulando parte dessa cena. E sabe qual foi a contribuição dela? Nenhuma.

O que agradou?



Comecei essa crítica tratando a falta de evolução dos personagens como aspecto mais frustrante em Gilmore Girls: Um ano para recordar e foi justamente uma evolução do personagem um dos pontos que mais me agradou. E quem mais evoluiu durante esse processo foi Emily. E para um fã de Gilmore Gilrs o fato de se identificar mais com Emily já mostra que tem algo muito errado nisso tudo.

O ponto é que a matriarca da família Gilmore se descontrói e encontra novos sentidos para sua vida após a morte de seu companheiro, com quem foi casada durante 50 anos. Emily percebe que nada daquilo que ela costumava dar tanto valor, como convenções sociais e reuniões das “Filhas da Revolução Americana”, fazem sentido quando sua vida desmorona. A partir disso, somo apresentados a uma Emily despreocupada com a eficiência das suas empregadas, ou com a disposição dos móveis. Conhecemos uma Emily que quer viver o melhor da vida que lhe resta, que decide largar tudo e ir morar próximo a praia e virar voluntária em um museu. E eu só posso dizer que amei tudo isso. Emily Gilmore, você valeu a pena!

Também gostei bastante de ver novamente toda loucura de Paris, que apesar de ser a mesma neurótica por trabalho e de ter uma personalidade bem peculiar, dá sinais de ter evoluído ao contar sobre sua relação com os filhos e como isso se assemelha a relação dela com seus pais e ao vivenciar o fim de um casamento com o namorado dos tempos da faculdade. É a mesma Paris que amamos e adiamos, mas os conflitos da personagem evoluíram e fazem jus aos de uma mulher de trinta e poucos anos. 


Mas nada me agradou tanto quando ver mais uma vez os meninos (agora homens) da Brigada da Vida e da Morte. Colin, Robert, Finn e Logan protagonizaram, o que foi para mim, a melhor cena do revival. As personalidades peculiares, suas ações, seus diálogos, a música que tocou nessa cena, e os figurinos foram um sopro de ar fresco no coração dessa fã parcialmente decepcionada.  



As quatro últimas palavras


Sobre as quatro últimas e tão esperadas palavras só tenho a dizer que na Rory de 2007 elas me chocariam mais. No entanto, ditas pela Rory com 32 anos soaram para mim como algo bem natural. Se eu desejo que eles continuem e façam mais episódios? Não! Acredito que mexer mais na série pode trazer mais e mais desapontamentos, no entanto, respeito quem anseia por uma continuação já que muita coisa terminou em aberto. Eu mesma queria mais, sempre quis e talvez por querer tanto esperava bem mais. 





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4 comentários

  1. Oi, Érika!!!

    Eu gostava bastante de Gilmore Girls, mas acabei me enrolando em alguma temporada e parei de assistir. Por isso nem vi o revival ainda. Acho que tenho que rever as temporadas anteriores primeiro porque nem lembro de tudo... Hahaha

    Mas fico chateada por saber que o revival é mais do mesmo. É ruim mesmo ver que nada muda em tantos anos. Acredito que vou querer assistir assim mesmo porque tenho que terminar a série, né? Rsrsrs

    Te falo depois minha opinião!

    Bjs!!

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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  2. Oi Érika!
    Resussitar uma trama é sempre algo delicado. Eu sou super fa de Friends (quem nao é? hehe) e adoraria vê-los reunidos novamente, mas nao sei se seria a mesma coisa.
    Quanto a Gilmore Girls, eu nunca fui uma fa, mas gostava da série e gostei do Revival. Talvez por nao ter tantas expectativas como voce. Voce tem razão: nao houve tanta evolução dos personagens, mas acredito que aqui entra esse aspecto delicado que eu mencionei: dependendo de como seria essa evolução, correria o risco de nao reconhecermos esses personagens, ou sentirmos que nao os conhecemos mais. É preciso haver um equilibro entre as duas coisas e isso nem sempre se consegue.
    Também nao sei se eu gostaria de mais episódios, mas adorei voltar para Stars Hollow.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  3. Por um lado fico naquela curiosidade para saber o que ia acontecer se tivesse mais outra temporada por outro fico com medo de me decepcionar como foi o que ocorreu com a frase final de Rory.
    Bjs
    https://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

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  4. Olá
    Eu devo começar falando que conheci Gilmore Girls somente esse ano. Me apaixonei pela série perdidamente e já estou planejando assistir novamente. Eu gostei do Revival, mas também me incomodei bastante com alguns pontos que citou. Se houver mais uma continuação, eu tenho quase certeza que o Logan não vai assumir a criança e que a Rory vai ficar com o Jess, meu namorado favorito dela, pra ser sincera. Eu gostaria de ver mais, mas tenho os mesmos medos que você.

    Vidas em Preto e Branco

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