Caio Fernando Abreu

Literatura em foco: 20 anos sem Caio F. Abreu

20:55


Foi em 2008. Disso tenho certeza. Foi em 2008 que despretensiosamente uma amiga me mostrou um trecho de um autor, até então desconhecido para mim, com a descrição mais visceral do amor que já havia lido. Naquele tempo eu já flertava com o amor, mas a parte instintiva desse sentimento ainda era uma nova companheira nas minhas jornadas afetivas.

E sobre isso o Caio dizia “... e se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, no tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido”.

A honestidade e a lucidez dos textos do Caio Fernando me cativaram. Do dia em que li esse trecho até hoje, foram muitas outros trechos, livros, conversas e até uma peça de teatro maravilhosa baseada no conto Aqueles Dois. 

O Caio fala dos dramas contemporâneos, nos mostra como somos previsíveis sem ser de nenhuma maneira previsível. Talvez por isso tenha virado fenômeno nas redes sociais. Com um turbilhão de citações deslocadas utilizadas em perfis, legendas de foto e afins. Por vezes, alvo dos críticos de plantão que acreditam fazer parte dos escolhidos por uma literatura maior, uma literatura exclusiva. Mas as linhas do Caio Fernando incluem.

Apesar das frases não representarem a grandeza do trabalho do autor, entendo todos aqueles que se identificam mesmo que com fragmentos perdidos. É difícil não achar nas palavras desse gaúcho algo que poderia ter saído da nossa boca, que a gente poderia ter escrito. Os textos do Caio são como um sopro consolador. Um conforto. Um amigo que nos mostra que não estamos sozinhos em nossas angústias ou mesmo em nossas paixões. 

Caio Fernando Abreu faleceu em 25 de fevereiro de 1996.


Érika Rodrigues

Arqueiro

Resenha: O Rouxinol – Kristin Hannah

23:37

Título: O Rouxinol | Autora: Kristin Hannah | Editora: Arqueiro | Edição: 1 | Páginas: 432 | Nota: 3,5 de 5
Sinopse: No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes. Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva. Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.


Comentários

"Se há uma coisa que aprendi nesta minha longa vida foi o seguinte: no amor, nos descobrimos quem desejamos ser; na guerra, descobrimos quem somos. Os jovens de hoje querem saber tudo sobre todo mundo. Acham que falar a respeito vai resolver um problema. Eu venho de uma geração mais calada. Nós entendemos o valor do esquecimentos, o fascínio da reinvenção."

Setenta anos separam a nossa realidade da Europa ao final da Segunda Guerra Mundial. De lá para cá, a literatura e o cinema tentam reconstruir aquela cruel realidade a fim de nos dar a dimensão dos fatores que culminaram na guerra e das atrocidades que assolaram a população dos países atingidos pela ocupação nazista. Em O Rouxinol, Kristin Hannah opta por nos contar um pouco dessa realidade a partir do papel da mulher na França durante os anos de dominação alemã.

A narrativa aborda as mudanças na vida de duas irmãs, Viene e Isabelle, desde os primeiros momentos da invasão a França até o fim dos conflitos, em 1945. Viene reside com seu esposo – convocado para o fronte – e sua filha Sophie em uma pequeno vilarejo de Carriveau. Cautelosa, Viene acreditava que a invasão alemã fosse durar pouco e os soldados franceses seriam capazes de garantir a segurança do país. Tudo muda, no entanto, com a intensificação da presença dos alemães na cidade e com a notícia de que seria obrigada a hospedar em sua casa um oficial inimigo ou perder seus bens.

Isabelle, a irmã mais nova, tem muito da juventude na construção de seu personagem. É impetuosa, destemida, intempestiva e tem um pouco de rancor do pai e da irmã pelos anos vividos em diferentes internatos após a morte da mãe. Com as notícias da invasão alemã e a efetiva ocupação acontecendo, Isabelle não se contenta em assumir o papel representado pela maioria das mulheres e decide participar ativamente da libertação de seu país.

As duas representam sobrevivência e resistência durante o curso dessa narrativa. Ambas fazendo o máximo e indo além dos limites pessoais e legais por seus objetivos: Viene, pela segurança de sua família e Isabelle, pela França livre. A história contada por Hannah, além de um trabalho de pesquisa minucioso abre espaço para a história da mulher na guerra, normalmente encarada como coadjuvante. A autora fala de mulheres acima de tudo fortes. Mulheres que conviveram com o inimigo, que passaram horas nas filas por comida, que queimaram móveis para enfrentar o inverno e que enganaram os nazistas justamente por terem seu papel subestimado.

O Rouxinol é um história rica e muito triste, devo dizer. Uma daquelas narrativas que ficam na nossa cabeça e nos trazem um turbilhão de emoções. Um aspecto interessante desse livro é que a autora não trouxe apenas as atrocidades cometidas com os judeus, como a maioria das obras tratam. Devo acrescentar, por fim, que me envolvi bastante com a história de Viene e com todos os dramas que sua personagem enfrentou. Já Isabelle me causou enorme antipatia. Apesar do seu desejo de fazer a diferença, suas atitudes irresponsáveis me incomodaram bastante e pesaram na minha avaliação da história. Mesmo com essas ressalvas, O Rouxinol é uma leitura muito recomendada.


Érika Rodrigues

Cardápio

Resultado: Sorteio de O Rouxinol

20:44


A nossa primeira promoção de 2016 chegou ao fim no domingo de carnaval (7 de fevereiro) e teve a leitora Sara Ramos como ganhadora - após dois sorteios sem sucesso no contato com os participantes.

Parabéns Sara! Seus dados foram enviados para os responsáveis da Editora Arqueiro e em breve o livro estará em sua casa. Para os demais leitores, obrigada pela participação e não se preocupem porque teremos muitos outros sorteios por aqui.



Beijos!
Érika Rodrigues

Cardápio

Update: Maratona Pra ver a banda passar

19:21


Confesso que neste ano eu não estava com o menor clima pro carnaval. Um milhão de preocupações rondando minha cabeça a respeito das grandes mudanças que estão se aproximando do meu cotidiano, tanto pessoais quanto profissionais. A falta de interesse pela folia me fez aderir a uma maratona literária a fim de tirar minhas leituras da inércia desse início de 2016.

Quem acompanhou o post em que apresentei a maratona viu que me comprometi a avançar na leitura de 4 livros: O Rouxinol, Alta Fidelidade, Me Before You e Uma Longa Jornada. A maratona teve fim ontem, quarta-feira de cinzas, e muito me alegrou perceber o quanto pude ler nesses dias de festa.  Apenas Me before you que eu não consegui avançar, provavelmente por já ter lido em português e estar mais empolgada para desvendar as histórias que não conhecia.

Vamos ao balanço das leituras:

O Rouxinol – Leitura finalizada e em breve terá resenha por aqui;
Alta fidelidade – 70 páginas lidas durante a maratona;
Uma longa jornada – 117 páginas lidas durante a maratona.

Além de dinamizar as leituras, eu adorei a experiência de ler mais de um livro de uma vez, algo que normalmente eu não faço. 

Essa foi a primeira maratona Pra ver a banda passar e próximo ano tem mais. Espero que tenham aproveitado o carnaval da melhor maneira possível!

p.s: Para quem não conhece a música que deu título à maratona deixo aqui como dica pra sua playlist ;)



Beijos,
Érika Rodrigues

Cardápio

Maratona literária: Pra ver a banda passar

03:20

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No dicionário, um dos significados atribuídos ao substantivo maratona é competição de duração prolongada que exija grande resistência. Esse será exatamente o espírito da maratona de carnaval aqui no Relicário que, apenas por estética, irei chamar de maratona "Pra ver a banda passar”.

Essa leitora que vos escreve anda tendo uma grande dificuldade em se concentrar nas leituras nesse início de ano, devido ao tempo em excesso dedicado a maratona de séries e estudos avulsos. Mas eu quero ler!! (rs) E tem tanto livro legal na estante. Para acabar com esse dilema resolvi me unir aos demais blogueiros e elaborar uma maratona durante o feriado de carnaval.

Devo confessar que não tenho a pretensão de terminar a leitura nenhum livro que listarei aqui. O intuito mesmo é dinamizar minhas leituras e ler mais do que estou lendo atualmente. A maratona Pra ver a banda passar começa nessa sexta-feira, 5 de fevereiro, e segue até a quarta-feira de cinzas.


Durante esse período pretendo continuar a leitura de O Rouxinol e iniciar outros três livros: Me Before You (Jojo Moyes); Alta Fidelidade (Nick Hornby) e Um Longa Jornada (Nickolas Sparks). Na quinta-feira, farei um post comentando como a maratona se desenvolveu.

Beijos, boa leitura e bom carnaval!


Érika Rodrigues

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