Está na hora de assistir American Crime Story

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Em um mundo apavorado pelos spoilers é no mínimo louvável construir uma série cujo final o mundo inteiro já conhece. Esse foi o desafio cumprido com honras pelo Ryan Murphy, produtor de American Crime Story, ao apresentar em 10 episódios o “julgamento do século” que levou o ídolo do futebol americano, O.J Simpson, ao banco dos réus pelo homicídio de sua ex-esposa, Nicole Brown, e do amigo dela, Ronald Goldman.

Longe de ser uma narrativa dos tribunais, American Crime Story: O povo contra O.J Simpson explora todo o contexto que envolveu o julgamento durante mais de um ano. A estratégia da promotoria, as manobras da defesa, o cansaço do júri, racismo, sensacionalismo da mídia, falhas da polícia de Los Angeles e como tudo meio que culminou na absolvição do réu que tinha contra si um caso bem construído pela promotoria.



Além de apresentar a história a partir de múltiplos ângulos, a série também acertou na seleção do elenco com super destaque para Sarah Paulson, no papel da promotora de justiça Marcia Clark. Sarah nos apresenta uma mulher forte lidando com a pressão de ter sob sua responsabilidade um dos maiores casos da justiça norte-americana da década de 1990, e ao mesmo tempo sendo alvo de comentários machistas e misóginos pulverizados durante a maior parte da cobertura midiática do caso e até pelos próprios advogados da defesa. Confesso que cheguei a me emocionar com muitas dessas cenas em que a promotora vê sua capacidade atacada por fatores incrivelmente irrelevantes, como por exemplo seu corte de cabelo, suas roupas e suas funções enquanto mãe.

Outro destaque fica por conta de Courtney B. Vance no papel de Johnnie Cochran, um dos advogados de defesa de O.J. Seu personagem intensifica um dos planos de fundo da série que é o forte racismo da sociedade norte-americana e como essas noções contaminam as instituições políticas e policiais. O preconceito racial é uma chaga que a sociedade norte-americana parece estar longe de superar e toda a dimensão desse problema social apresentado na série nos dá alguns sacolejos e nos apresenta também a perspectiva daqueles que sofrem com as ofensas e com a discriminação diariamente.



O. J Simpson é interpretado por Cuba Jr. que tem o melhor da sua atuação no segundo episódio “The run of his life”, mas no geral seu personagem é bem mediano. Robert Kardashian, amigo pessoal e advogado de Simpson - e pai da Kim, Kloe, Khourtney e Rob-, é interpretado por David Schwimmer, que para mim torna seu personagem mais interessante a partir do momento em que passa a viver o conflito entre duvidar que seu amigo de tanto tempo pudesse ter cometido os crimes e acreditar que as evidências da polícia eram fortes demais para serem ignoradas. O elenco conta ainda com John Travolta e Sterling K. Brown.

A primeira temporada da série é uma adaptação do livro The Run of His Life — the People vs. O. J. Simpson e ganhou 10 Emmys e dois Globos de Ouro. Os episódios estão disponíveis no catálogo da Netflix.


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1 comentários

  1. Oi, Érika!!

    Eu gostei muito da sua indicação. Esses tipos de séries acabam me prendendo muito. Vou adicionar na minha lista para assistir com certeza!!! :D

    Bjs!!

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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